Aí eu tomo um banho bem quente, pra te espantar da minha pele. E canto bem alto, pra te espantar da minha alma. E escovo minha língua bem forte, pra separar seu gosto do meu. E quase vomito, pra parir você do meu fígado. E tento ser prática e parar de suspirar. E tento abrir a geladeira sem me perguntar o que eu poderia comprar pra te agradar. E tento me vestir sem carregar a esperança de esbarrar com você por aí.
A gente nunca sabe quando uma história vai se tornar inesquecível… Até que ela se torna. Não sou o homem mais bonito, nem o mais inteligente ou rico. Sou simples, sempre fui. Mas se me perguntassem o que de mais valor há no meu mundo, eu diria o nome da mulher que amo. Vou dizer uma coisa com toda a dor do mundo: Um dia todo mundo perde a fé no amor. É triste, mas é a verdade. E sabe por que isso acontece? Porque os seres humanos são ingênuos. Nós acreditamos no amor que queremos acreditar. E por um certo tempo, isso se torna algo lindo, e realmente é. O amor que uma criança sente e acredita é um dos mais bonitos e sinceros do mundo. Mas o problema está nas fantasias. Está nos filmes, nos livros. Está naquele casal extremamente lindo, que se encontrou em um deserto e se olhou pela primeira vez e pensou: “É o amor da minha vida”. Não estou dizendo que é impossível, mas acredito que o amor não está no primeiro olhar ou na primeira conversa, está na segunda, terceira, quarta… décima oitava, quem sabe? O amor aparece quando se acha que ele não vai aparecer. O amor é aquele convidado da festa que sempre se atrasa… Mas chega. A verdade é que ninguém é de ferro. Dói cair na ilusão e se levantar na fantasia. Então a gente se cansa. Então acordar sozinho se torna rotina. Então ser uma pessoa fria quando se trata de sentimentos não é mais uma opção, mas sobrevivência. E a vida já não é mais vivida, ela é apenas uma platéia que observa o tempo passar. A gente se engana com o argumento de que ser sozinho é mais fácil, mais simples. Mas no fundo? A grande real? Ser sozinho uma hora pesa. E então ver casais brigando se torna algo para ser invejado, você olha e pensa “Pelo menos vocês tem alguém para brigar", isso é insano, mas é o efeito da solidão. Então observar a felicidade alheia se torna uma tortura. Então a gente já não sabe mais o que é felicidade, não sabe a sua cor, cheiro ou gosto. Felicidade se torna uma palavra, apenas uma palavra. E aí está uma das coisas mais tristes da vida: Se conformar com a infelicidade. Se eu pudesse dar um conselho, qualquer um, eu diria: Não se conforme, com nada. Não desista da vida ou de viver. Não desista do amor ou de amar. Não desista, não deixe de acreditar. E, se deixar, procure um motivo para acreditar novamente. Repito mais uma vez: Não sou o homem mais completo do mundo e estou longe de ser, mas amo uma mulher com todo o amor que existe em mim. E isso é uma das coisas que eu mais tenho orgulho de dizer. Por que acreditar no amor quando tudo é dor e decepção? Porque, quando menos se espera, alguém aparece. E eu não estou dizendo de um simples alguém, mas “O alguém". E então você percebe que uma risada pode se tornar viciante. Então você sente uma sensação gostosa quando suas peles se tocam por acaso, sente um aperto no peito. E então você sente, pela primeira vez, que é possível amar alguém que vai lhe amar com a mesma intensidade do seu amor. E você descobre que a felicidade tem a cor, cheiro e gosto dessa pessoa. A felicidade já não é mais apenas uma palavra, mas um nome e sobrenome. A solidão, quando aparecer, pode ser dividida em partes iguais com alguém. Mas, então, você percebe que não há como existir solidão quando o resultado de um mais um é igual à dois. Ou seria três? A gente nunca sabe quando o amor pode dar frutos… Até que seja preciso colher. E sabe o que você vai ter que pensar quando isso acontecer? “Quanto será que custa um berço?”.
Eu adoro o sorriso dela, adoro o cabelo dela, adoro os joelhos dela, adoro a marca de nascença em forma de coração no pescoço dela, adoro o jeito que às vezes ela lambe os lábios antes de falar. Adoro o som da risada dela, adoro a aparência dela quando ela dorme, adoro ouvir essa música toda vez que penso nela. Adoro o jeito que ela faz eu me sentir, como se tudo fosse possível… Ou como sei lá, como se a vida valesse a pena.
Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez.
É besteira procurar por “sinais do universo”. Talvez o universo tenha outras coisas para fazer, talvez não existam sinais, talvez não precisamos dar sentido a tudo, talvez não precisamos que o universo nos diga o que queremos. Talvez nós já sabemos, lá no fundo.
Ela gosta das suas palavras carinhosas e do seu lado divertido. Do seu jeito infantil de não saber lidar com pequenos contratempos.
Eu sei que você acha que ela era especial, mas eu não acho. Eu acho que tá só lembrando das coisas boas. E da próxima vez que olhar pra trás eu acho que devia olhar direito.
A gente é uma tremenda composição de partes. Toda pessoa tem consigo uma que, teoricamente, dá sentido a outras. Teoricamente. Porque na prática até a Maria do 410 sabe que nada tem sentido. E concorda que a vida é uma caixinha que não nos permite reembrulhar e devolver ao remetente caso não goste da surpresa. E quase ninguém gosta. Porque todos somos sujeitos a precisar de outra parte e isso é sempre um problema. Pra enfatizar mais um pouco: Um grande problema. E todos precisamos de outra parte. Porque somos seres racionais e necessitamos, por natureza, seguir uma linha de relacionamentos. Precisamos de outra parte que nos dê carinho, afeto e que nos transmita a sensação de segurança. Precisamos de outra parte que tenha toda a paciência que esse mundo pode oferecer, para aguentar os melodramas e as crises existenciais que estamos sujeitos a sentir. Precisamos também de uma parte que tenha sangue frio nos piores momentos, e chega com firmeza nos motivando: “ — Vai porra, eu to contigo.” E a gente tenta colocar a cabeça no lugar depois dela ter viajado por todos os mais medonhos e trêmulos lugares do mundo na procura de uma solução. E todo mundo continua precisando de outra parte. Inclusive eu, na minha grande e falha expectativa de suprir minhas carências e meus momentos melancólicos. E é isso que torna tudo mais difícil pra mim: Você é aquela parte que eu tirei na caixinha, da qual eu não queria precisar.
Minha professora disse que bonito é o que a gente tem por dentro.